Comportamento
Vaidade além do Limite


Apesar de termos nossa dose de vaidade, devemos ficar atentos para não nos viciar por este prazer tão agradável ao ego

Por Aleksandra Zakartchouk

É impossível abordar a questão da vaidade em apenas um artigo, considerando suas características e inúmeras influências no comportamento humano, porém vale a pena refletir um pouco sobre o tema. Apesar da palavra ser empregada no dia-a-dia para definir apego a futilidades ou preocupação excessiva com a aparência física, sua abrangência não pára por aí.

Na verdade, a vaidade é o prazer exibicionista que sentimos quando somos admirados. Mesmo sem consciência, queremos chamar a atenção e sermos reconhecidos de forma positiva de alguma maneira - aparência física, inteligência, talento, atitude, poder aquisitivo, status ou sucesso, entre tantos aspectos.

Outro dia, lendo um livro sobre o assunto, havia um questionamento: por que não gostamos de ir a um restaurante vazio quando saímos à noite? Não importa se a comida é ótima, o ambiente agradável... A questão é que o local fica "chato" quando não há ninguém para nos olhar e para olharmos.

Não é à toa que mulheres "vestidas para matar" ou homens com "síndrome de pavão", por exemplo, tendem a ficar extremamente frustrados, caso não atraiam olhares para si. A vaidade está ligada à auto-estima e, principalmente, à opinião de terceiros. É por causa disto que muitos deixam de lado sua verdadeira identidade, temendo não serem aceitos. Preocupados com "o que os outros vão pensar", assumem uma personalidade dissimulada e transmitem aquilo que julgam ideal e adequado, mesmo que não corresponda à realidade.


Vitrine Falsa
Por causa desta fachada, muitas relações não dão certo logo nos primeiros encontros. Imagine, por exemplo, uma garota exuberante, que esbanja sensualidade e ousadia para seduzir um cara interessante e gentleman. Mas, como tudo não passa de aparência, a garota se mostra cheia de pudores na hora do sexo, e o então gentleman assume sua essência verdadeira e desaparece mundo afora. Pois é. Inúmeras pessoas se disfarçam de personagens que sejam convenientes para suas conquistas.

Presos ao poder da imagem, há também indivíduos cujo prazer não provém somente de riquezas materiais, mas principalmente da admiração e até da inveja que provocam aos olhos dos outros. A propósito, é curioso observar que pessoas que gostam de contar vantagem se sentem lisonjeadas e superiores quando conseguem despertar justamente inveja alheia por possuir algo que o outro gostaria de ter.

É também em nome da vaidade que um sujeito - bem sucedido no passado e fracassado no presente - deseja tanto manter a pose, o status e o alto padrão de vida (mesmo que tudo não seja condizente à realidade). Para este, o importante é não deixar ninguém vê-lo derrotado e decadente. Assim, vive numa eterna busca por ícones que lhe agreguem riqueza, prestígio, poder, privilégio, etc.

Observe também que o jovem é vítima fácil da vaidade. Para poder ser da turma, é necessário ser igual aos demais - como forma de estabelecer identidade e evitar rejeição. Como o comportamento do grupo prevalece sobre o individual, é normal que os adolescentes pertençam a tribos - patricinha, mauricinho, surfistas, clubbers, new hippies, roqueiros, desencanados, etc. - para serem reconhecidos por suas respectivas preferências de moda, estilo, postura, consumo, linguagem, lugares que freqüenta, músicas que ouve...

Para quem já experimentou o gosto da fama, o anonimato tem um sabor amargo e pode facilmente conduzir a uma forte depressão, de acordo com especialistas. Basta observar quantos artistas fizeram (e ainda fazem) uso de drogas, álcool ou mesmo suicidaram-se por não suportar o fracasso e o esquecimento.

Enfim, qualquer discussão como esta é superficial devido à amplitude do tema. De qualquer forma, é preciso ficar atento com atitudes exageradas de vaidade, uma vez que seus processos permeiam todas as relações sociais. Sob controle, porém, ela viabiliza um espírito determinado, perseverante e empreendedor no indivíduo, que objetiva - além de seu próprio aprimoramento - o reconhecimento dos demais.