Abril
2008
Quando
eu era criança, nunca tive dúvidas de que meu sonho era ser "escritora
de livros infantis" quando crescesse. Desde aquela época, escrever
era minha mais deliciosa atividade, afinal não existia no mundo brincadeira
mais divertida do que uma folha em branco, esperando simplesmente o fluir da minha
imaginação capaz de me transportar para qualquer universo que eu
quisesse! Assim, passei minha infância criando contos, aventuras incríveis,
histórias em quadrinhos, peças de teatro...
Cheguei
a conceber uma história com cerca de 50 hilários personagens, cada
qual com suas peculiaridades e personalidades (a exemplo da Carlota, Afrôncio,
Rogéria, Onofre, Marlon, Monguinha, Gisela, Mirna, Mechano, Ananás,
Nilo, Anica, entre váaaarios outros) que tinham vida além do papel
em brincadeiras inesquecíveis com meu irmão.
O
tempo foi passando e o gosto pela redação se apurou: houve o momento
do gosto pelo texto dramático e dolorido, capaz de traduzir a angústia
que eu sentia ao contemplar um mundo desigual, injusto e sofrido. Por outro lado,
também amava o teor bem humorado, divertido, com minhas próprias
ilustrações e caricaturas, capaz de me transpor para um lado cômico
que me deixava em um transe de euforia, bem-estar e plenitude enquanto escrevia.
Essa
veia criativa e fantasiosa típica do sangue russo lentamente deu espaço
para um estilo de texto bem jornalístico quando iniciei minha carreira
em 1994 aos 19 anos. Até pouco tempo atrás, acreditei que o ápice
que podia atingir era escrever para um segmento com enorme demanda por excelentes
profissionais: o mercado financeiro. Embora eu goste muito da atividade, pois
me faz compreender melhor os mecanismos econômicos que fazem o mundo girar,
a vida lentamente me conduz por uma órbita
que me traz de volta ao meu ponto de origem, ao meu universo "Alekie Poulain",
graças à incrível oportunidade na produtora Gatacine.
Que
pri-vi-lé-gio ler roteiros do diretor de cinema Marcelo Galvão nascendo,
ajudá-lo a escrever o perfil dos personagens da trama, redigir sinopses,
cobrir os bastidores de filmagens no blog que assino (La
Riña), investir energia em um projeto de vida que acredito plenamente,
ao lado de pessoas que moram em meu coração e com as quais aprendo
muito todos os dias.
To
be or no to be
Tomar
decisões nem sempre é fácil, afinal toda escolha - seja ela
qual for - implica em uma renúncia. De qualquer forma, a esta altura da
trajetória sinto-me madura, convicta, autora da própria vida, dona
do meu destino, apaixonada pela trilha que escolhi seguir destemida. Quem escreve
este roteiro sou eu: sei onde quero chegar e tenho consciência que cada
sim e cada não farão toda a diferença em minha existência...
Vislumbrando
o futuro, não hesito em dizer: a Gatacine é a alegria que me faz
acordar todos os dias ansiando por chegar naquela deliciosa casa arborizada no
Pacaembu onde existe uma verdadeira "fábrica de sonhos". Quando
o trabalho assume este tom prazeroso, a vida se torna uma lúdica brincadeira,
igual aquela que a pequena Alek tanto amava quando garotinha...